Natália saiu correndo do trabalho para comprar a decoração de natal. Faltando apenas quinze dias para a data, imaginou que a loja de decoração do shopping estaria cheia. Ainda que estivesse cansada, depois de um dia exaustivo no escritório onde trabalhava – naquele dia havia participado de uma audiência cansativa com um casal que estava se separando, e havia pensado no próprio noivo, de quem ela andava tão desencantada atualmente – estava deslumbrante usando uma camisa branca impecável, que chamava a atenção para o belo formato dos seios, combinada à saia lápis preta que evidenciava as belas curvas do seu corpo e as pernas realçadas pelo scarpin altíssimo que usava. Os cabelos, arrematados despretensiosamente em um coque, evidenciavam o rosto de traços finos, nariz delicado, boca desenhada e olhos de loba.

Misteriosamente, a loja estava quase vazia, não fosse a presença de uns cinco gatos pingados que circulavam pelos corredores. “Deve ter sido a chuva”, pensou, referindo-se à chuva torrencial que começou a cair assim que ela deixou o escritório. Enquanto circulava despreocupadamente pelos corredores, ia pensando em sua desorganização habitual. Ela nunca fazia listas, para nada. Sempre  chegava ao mercado sem ter ideia do que precisava comprar para a casa. Dessa vez, ela queria impressionar seus pais, o irmão e o noivo, que viriam passar o Natal na casa dela. Era muita responsabilidade para uma recém formada, no auge dos 25 anos, com um emprego ótimo, mas que sequer sabia administrar a lista de compras.

 

Enquanto se concentrava para encontrar as luzinhas de natal, sentiu alguém atrás de si, envolto em um cheiro tão inebriante, tão excitante, que ela precisou se virar para observar. Deu de cara com o homem mais charmoso que já havia visto. Os olhos negros penetravam tão fundo nos seus que ela quase não conseguiu reparar nos detalhes que envolviam aquele homem. A pele morena, bronzeada pelo sol, os pelos dourados nos braços, que a camisa dobrada até o meio do antebraço deixava ver, a barba por fazer, meticulosamente aparada e os maxilares destacados, emolduravam seu sorriso, enquanto ele pedia desculpas pelo esbarrão. Ela não conseguiu esboçar sequer uma palavra por segundos – que mais pareceram horas – extasiada com aquele olhar e aquele cheiro que pareciam tocá-la diretamente em sua calcinha. Sentiu a boceta contrair, engoliu a seco e disse:

— Imagine…eu é que estava no caminho, perdida com essas luzinhas.

— Quer ajuda? Entendo muito de luzes de Natal. Decoro a árvore lá de casa há anos.

Antes que respondesse, olhou rapidamente para sua mão e notou que era casado, “merda!”.

— Se puder me indicar alguma que não faça a casa pegar fogo, eu agradeceria.

Os dois riram nervosamente, enquanto ele escolhia a melhor opção e lhe entregava, roçando suas mãos nas dela, que desviou o olhar rapidamente, notando outra parte do corpo dele que, salve ledo engano, parecia ter manifestado alguma reação. Sua boca se entreabriu, esboçando um sorriso de lado, os olhos se arregalaram, num misto de surpresa e desejo. Ele sorriu, maliciosamente:

— Preciso ir. Quem sabe não nos encontramos de novo numa desses lojas? O Natal tem dessas coisas…

Enquanto ele se dirigia ao caixa, Natália suspirava, pensando em como adoraria beijá-lo, despi-lo, e sentir seu corpo quente sobre o dela.  Quando deu por si, ele já havia deixado a loja e ela, desesperada, abandonou as luzinhas de Natal e correu pelo shopping, pensando em algo idiota para dizer. “Ele deve estar no estacionamento”. Louca, percorreu os três subsolos, na esperança de encontrá-lo circulando em busca de seu carro – ele poderia ser uma dessas pessoas que esquecem onde estacionam, como ela – ou sentado no banco macio de couro, esperando que ela aparecesse. Delirava, pensando na possibilidade de sentir seu membro através da calça, as mãos dele apertando seus seios com habilidade e depois afastando a calcinha para o lado e tocando seu clitóris delicadamente. Ela arfava, em profundo desejo, mas não o encontrou.

Foi pra casa num misto de excitação e decepção: lembrava-se daquele perfume inebriante e sabia que nunca mais o veria. Naquela noite, colocou sua camisola de cetim e começou a acariciar o próprio corpo, imaginando aquelas mãos fortes tocando seus seios com deleite, apertando os bicos com força e depois descendo vagarosamente até a barriga, chupando sua boceta como se fosse uma fruta madura, sorvendo seu gosto, sentindo seu cheiro, deliciando-se. Natalia se contorcia na cama e se esfregou com força, até gozar.

Nos dias seguintes, mal falou com o noivo, alegando estar cheia de trabalho e concentrou-se em voltar à loja todos os dias, no mesmo horário,  para ver se reencontrava aquele homem. Sentia-se uma idiota, indo por dias consecutivos ao mesmo lugar e comprando qualquer quinquilharia, esperando o tempo passar ou percorrendo as lojas próximas, atenta a qualquer ruído. Depois de três dias, desistiu, certa de que nunca mais o encontraria.

A véspera do Natal chegou. A casa estava linda e Natália se preparava para receber os familiares. A ceia estava encaminhada, tudo quase pronto, quando ela se deu conta de que não havia comprado guardanapos: ela precisava de guardanapos com motivos natalinos, afinal, de tanto frequentar a loja de decoração, tudo na casa estava impecável e os guardanapos não podiam ficar de fora dessa.

Decidiu dar uma passada na loja de decoração, toda descabelada, roupa de ginástica, na correria da véspera, para comprar os benditos guardanapos. Maldita mania de perfeição. Rapidamente, pegou dois pacotes de guardanapos e quando se dirigiu ao caixa, quase não pode acreditar: era ele. O mesmo cheiro. Ainda que ele estivesse de costas, era impossível que fosse outra pessoa. Encolheu-se, torcendo para que ele não a visse toda desarrumada, informal, mas, por outro lado, desejava ardentemente que ele a notasse.

Nesse instante, ele se virou e os olhos de ambos se encontraram. Ficaram paralisados. Ele sorriu. Ela esboçou uma pergunta, mas não conseguiu articular as palavras. “Vem comigo”, ele disse. Deixando os guardanapos de lado, só o que ela conseguiu fazer foi segui-lo até o carro. Seu corpo arfava e ela sentia sua boceta se contrair de desejo, mas não conseguia dizer absolutamente nada, tamanha era sua ansiedade.

— Está surpresa? Que bom que consegui te ver de novo. Fiquei com sua lembrança na memória desde aquele dia, mas não sabia como encontrá-la.

Natália respondia qualquer coisa. Parecia não controlar as palavras. Só conseguia pensar na pulsação que sentia debaixo da roupa de academia. Parecia pegar fogo. Em cinco minutos, chegaram a um prédio.

— Você mora aqui?

— Não…tenho esse apartamento e venho aqui às vezes quando quero relaxar.

Devia ser uma garçoniere, pensou ela. Mas não importava, tudo o que ela queria era senti-lo inteiro. Mal ele trancou a porta, ela o puxou pela camisa e lhe deu um beijo. Sentiu um líquido quente escorrer pela calcinha e um volume crescer nas calças dele. Enquanto ele apertava seus seios com força, ela apalpava seu pau; rapidamente, desabotoou as calças dele e se ajoelhou. Precisava devorar aquele homem. Ele ofegava, talvez surpreso com tanta voracidade. Até ela estava surpresa. Sentia um ímpeto animal. Primeiro, ela parou para observar aquele pau grosso. Sem dúvida, um belo pau: a cabeça rosada, muito bem delineada, as veias saltadas, o pau muito duro, prestes a explodir. Toda essa composição fez com que ela caísse de boca, sugando com delicadeza aquela cabeça, lambendo-o em seguida de cima a baixo, sugando as bolas e fazendo-o urrar de desejo.

— Assim, você me deixa maluco. Agora é a minha vez.

Dizendo isso, tirou rapidamente sua blusa e abaixou a calça e a calcinha até os calcanhares.

— Você está muito molhada.

— Você não imagina como eu estava com vontade de você!

Dizendo isso, ela fez com que ele também se despisse completamente e mal ficou nu, o pau explodindo, fez com que ela se deitasse ali, no sofá mesmo, e lambeu sua boceta como se nada mais importasse. Lambeu de cima até embaixo, vagarosamente, sugando tudo, delicadamente, mas com pressão suficiente para que ela se contorcesse inteira, segurando-lhe pelos cabelos e afundando-o ainda mais no meio do seu sexo, até que viesse um orgasmo tão intenso que sentiu uma explosão dentro de si e um líquido quente escorrer por suas pernas.

— Me fode agora!

Diante do olhar um pouco intimidado dele, Natália pensou rapidamente em como seu tesão estava represado há muito. Não se lembrava da última vez que havia transado assim. Ele se dirigiu a uma cômoda e pegou uma camisinha. Era mesmo uma garçoniere, pensou ela. Mal colocou a camisinha, ela fez com que ele se sentasse, virou-se de costas e sentou naquele pau. Cavalgou com força, rebolou intensamente, esfregava-se como se sua vida dependesse daquele orgasmo.

— Assim não vou aguentar. Você está me deixando maluco!

— Vai aguentar, sim, porque eu quero gozar de novo.

Dizendo isso, levantou e ficou de quatro, apoiada na cômoda, de frente para um espelho onde podiam se ver. Apenas um olhar bastou para que ele se levantasse e metesse seu pau furiosamente, segurando-a pela cintura com uma mão e puxando seus cabelos com a outra. Ela urrou:

— Coloca tudo, forte. Me fode sem dó.

Ela ajudava, mexendo o quadris, fazendo com que o impacto fosse ainda maior. Os gemidos foram ficando mais altos, a força e a velocidade também. Os dois suavam, os pelos se eriçaram e ambos gritaram juntos, anunciando a chegada do orgasmo. Era como se o mundo inteiro sumisse sob seus pés e só existissem os dois, em meio àquele mar de prazer profundo. Caíram exaustos no sofá e não puderam dizer uma palavra por longos minutos, até que ela despertou do transe.

— Meu deus, o peru!

— Como?

— Desculpe! Foi ótimo. Nunca tive uma transa tão boa na vida, mas me lembrei que deixei o peru assando! Minha casa deve estar em chamas! Me leva de volta, por favor.

Vestiram-se rapidamente, rindo da situação, e ela foi direto para a casa, deixando o carro no estacionamento do shopping.

— Obrigada pelo presente de Natal. Eu não poderia ter pedido nada melhor ao Papai Noel.

— Espero não ter estragado sua ceia.

— Nunca fui tão bem servida na vida!

Os dois riram. Despediram-se com um beijo. Enquanto corria para salvar o peru, ela pensava que era triste não terem trocado um contato, mas que talvez toda a mágica consistisse em não saberem nada um do outro, ou quase nada. Mais tarde, enquanto seus pais e seu noivo se perguntavam sobre o peru delicioso que ela disse estar preparando, ela só conseguia pensar no melhor peru de Natal de sua vida.

 

 

Fonte: http://vip.abril.com.br/cultura/o-peru-de-natal-por-lola-benvenutti/

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5 Comments

  1. Anelise

    7 de março de 2017 at 19:48

    A melhor escrita voltou!!!!

  2. Patrícia Antunes Castro

    18 de março de 2017 at 21:24

    Uau!
    Que texto foda!
    Excita, encanta, tem humor.

  3. Camila

    20 de março de 2017 at 03:13

    Lola, nós fãs, queremos mais contos! Posta mais!

  4. Marcos vendrame

    10 de abril de 2017 at 08:21

    Caramba!!! Muito de mais seu conto. Isto realça as sensações que temos, e por termos uma “Parceira(o)”, nós nos limitamos a diversas coisas. Parabéns Lola, por ser uma escritora tão assim de mais…

  5. Heider Suzart

    4 de maio de 2017 at 23:42

    Muito foda.

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